Casos de abuso sexual no metrô de São Paulo crescem 64%

Casos de abuso sexual no metrô de São Paulo crescem 64%

Nos nove primeiros meses deste ano, foram 87 denúncias de abuso sexual. A polícia identificou 83 pessoas por meio de mensagens e denúncias.

Os casos de abuso sexual no metrô de São Paulo cresceram 64% este ano. São homens que se aproveitam do excesso de passageiros nos horários de pico para se aproveitar das mulheres.

O reencontro foi planejando. Andressa Soares, de 21 anos, agradeceu aos seguranças do metrô que ajudaram a pegar o homem que abusou dela quando se preparava para embarcar em um trem. Andressa também teve a ajuda de passageiros: “Ele se aproveitou da situação de estar com muita gente, horário de maior fluxo, para começar a fazer o assédio. E esse tipo de pessoa que faz assédio se aproveita do constrangimento para continuar fazendo. No máximo, a pessoa só reclama e aí desce na próxima estação, nas não foi o que eu fiz”.

Em 2014, 102 pessoas foram parar na delegacia por causa de abuso sexual nos trens do metrô. A principal forma de denúncia é pelo celular, usando o SMS. Nos nove primeiros meses deste ano, o metrô recebeu 87 mensagens de celular com denúncias de abuso sexual, 64% mais do que no mesmo período do ano passado.

A delegacia de polícia do Metropolitano, que investiga os crimes no sistema metroviário paulista, identificou e investigou 83 pessoas, por meio de mensagens, telefonemas e denúncias diretas feitas aos policiais do metrô.

Para incentivar as denúncias, o metrô colocou equipes para atender às mulheres. “Toda estação do metrô tem uma mulher para recepcionar essa mulher que foi abusada dentro do sistema. Nós também temos condição de colocar um segurança em três minutos para conduzir essa ocorrência”, afirma Rubens Menezes, chefe do departamento de segurança do metrô.

Agora que as mulheres perderam o medo e passaram a denunciar o abuso, surge uma outra dificuldade: convencer quem viu o ataque dentro dos trens ou nas estações a testemunhar, contar o caso para a polícia .

O advogado Euro Bento Maciel Filho explica que quem pratica este tipo de abuso, sem uso da violência, não fica preso, mas é importante denunciar: “Queira ou não queira, o fato dele ser flagrado numa situação dessas, no meio da multidão, ser conduzido por uma autoridade policial, conduzido ao fórum posteriormente, comparecer ao fórum para audiência, fazer acordo com o Ministério Público, tudo isso gera um constrangimento”.

Andressa sabe disso e não quer que outras pessoas passem pela situação que ela enfrentou. “A mulher, o que ela tem que fazer, tem que transformar o constrangimento numa força para ela denunciar”, afirma.

Segundo o jurista Carlos Kauffman, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, a lei brasileira enquadra estes casos que não usam violência física ou qualquer tipo de ameaça, como “importunação ofensiva ao pudor”. É uma violência moral considerada uma contravenção, não um crime.

Por isso, o contraventor tem uma pena leve, faz um acordo com o Ministério Público, paga uma multa equivalente a uma cesta básica e é liberado. Caso ele cometa novamente o abuso em um prazo de cinco anos, perde o direito à multa e é processado pelo Juizado Especial Criminal.

http://g1.globo.com/jornal-hoje/

Veículo: TV Globo – Jornal Hoje

 

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