Conduzido na Operação Hashtag, comerciante diz que ação foi “exagerada”

Conduzido na Operação Hashtag, comerciante diz que ação foi “exagerada”

Na semana passada, 11 pessoas foram presas pela Polícia Federal, em vários pontos do Brasil, por suspeita de ligações com grupos terroristas. Neste domingo (24), o 12º procurado foi preso na cidade de Comodoro, Mato Grosso, a 656km de Cuiabá.

O comerciante e líder religioso Ahmad al-Khatib, morador de Guarulhos, foi conduzido coercitivamente pela Polícia Federal para prestar depoimento na operação. Equipamentos eletrônicos também foram apreendidos e, para Ahmad, a medida do Governo foi exagerada.

“Eu achei exagerada. Hoje eu estou atrapalhado no meu serviço porque não tenho mais computadores. Estou quase recomeçando para ter informações a respeito do meu serviço”, contou.

Dois dos presos são ex-funcionários de Ahmad, mas segundo ele tudo não passou de um mal entendido. “As pessoas que eu conheço, até os dois ex-funcionários não mencionavam nada sobre terrorismo”.

O comerciante disse que é contra toda forma de violência e atos terroristas: “a gente é contra qualquer ataque contra pessoas. A gente não aceita isso. A gente tem nossos ensinamentos religiosos. Primeiro passo que damos é misericórdia”.

Agora, Ahmed El-Khatib disse estar preocupado que haja perseguição contra os muçulmanos no Brasil. “Agora com essa fala da mídia, o que acontece? A ação da Polícia Federal pode trazer algumas pessoas a discriminar principalmente mulheres que usam véu. Nossa comunidade faz parte do Brasil”, afirmou.

A Operação Hashtag resultou nas primeiras prisões no Brasil com base na recente lei antiterrorismo, sancionada em março pela presidente afastada, Dilma Rousseff.

O advogado criminalista Euro Maciel Filho, vê que a lei foi criada “a toque de caixa”, deixando falhas. “Embora seja algo necessário, poderia ter sido melhor elaborada. Tem falhas em sua redação que abre espaço para arbitrariedades na prática”.

Para ele, a definição de terrorismo na redação da lei é bastante vaga, tratando como terrorista alguém que pratique, por exemplo, crime de preconceito de etnia ou religião.

Outro ponto destacado por Euro Maciel Filho, é que os detidos são tratados como amadores, mas é necessário ter atenção nas investigações e tirar dúvidas sobre o envolvimento dos detidos.

“Então é uma situação coplicada porque estamos lidando com pessoas que são claramente amadoras. Mas o mesmo amador que pode dirigir um caminhão ensandecido em Nice, pode cometer algo aqui no Rio de Janeiro, nas Olimpíadas’, declarou.

Os mandados de prisão temporária são válidos por 30 dias, podendo ser prorrogadas por mais um mês.

http://jovempan.uol.com.br/

Veículo: Rádio Jovem Pan AM 620
Seção: Jornal da Manhã

 

Deixe um comentário